do rapaz sempre teve uma obsessão pela ‘cura’ dele. Que o rapaz dizia que o sofrimento dele era o comportamento da mãe. Que ele se dizia tranquilo com a sua sexualidade. Que a mãe não tinha outro assunto com o filho, o tema era sempre o mesmo: “você tem que conseguir se curar, isso não é de Deus”. O rapaz perdia a paciência e os dois se atritavam. – O psicólogo não disse ao amigo nada sobre o que sabia sobre o caso.
…Mais uns anos se passaram. Novamente o amigo, em passagem pela casa do psicólogo, relatou que: “…aquele rapaz homossexual que havia lhe falado alguns anos antes, estava para terminar um curso universitário, era feliz consigo mesmo mas infeliz com a mãe. Na última briga deles, por telefone, ao final, o filho dissera à mãe que não queria que ela sofresse mais por sua causa, que finalmente ele compreendera que ele precisava ‘curar-se’ para ela ter paz, que ela não precisaria sentir mais vergonha dele. A mãe deu ‘mil graças a Deus’. - O filho cometeu um trágico suicídio. O que sobrou do corpo dele não poderia ser configurado como “restos-mortais”… – … o psicólogo levantou-se da sua cadeira, olhou com carinho para o seu jardim, sentiu o cheiro do café novo, sua amada mulher veio com as xícaras, passaram para o gazebo no jardim. Ele a olhou nos olhos e lhe perguntou: – se um dos nossos filhos ou todos eles fossem homossexuais como você acha que reagiria e sentiria? Ela me olhou com seriedade e respondeu: – Não seria fácil porque sei das minhas limitações em função dos preconceitos da nossa sociedade mas, tenho certeza que não deixaria de amá-los e educá-los do mesmo jeito, tenho certeza que jamais os rejeitaria nem por isso nem por qualquer outra coisa…
… o psicólogo deu um beijo na esposa e foi arrancar as batatinhas das tiriricas, que ele sabia exatamente onde estavam…
Jáson Lopes de Carvalho – Ipatinga-MG – 10 de outubro de 2009.